CASA DO QUINTAL

2019-2021, Lamarosa, Torres Novas

There was the backyard where my grandfather kept a vegetable garden next to the house which, in the past, was the family’s residence — still from a distant time when there was no running water or electricity. When I was a child and spent time with my grandparents, I liked to go to the “quintal” (backyard) house, as it was called. At that time it only served as support for the vegetable garden and shelter for a small rabbit and chicken farm. I’ve always liked the long, narrow, walled-in backyard setup.

Of the original construction, only a few main walls and stone corners were preserved. The volumetry remained unchanged, but the logic of internal organization was totally transformed. The kitchen works as the central “pivot” of the house, with direct connections to the bedroom area, the living room facing the garden, and the patio through a glazed double door. There, under a pergola, there is a smooth transition between interior and exterior space.

The old fruit trees coexist today with other species chosen for their shading, framing and metamorphosis qualities throughout the year. All the vegetation near the house is deciduous, allowing the sun to warm the interior in winter. Near the limits, preference was given to species with persistent leaves. Everything here is about inhabiting the outdoors throughout each of the four seasons. The house is just the pretext.

Casa do Quintal

2019-2021, Lamarosa, Torres Novas

Havia o quintal onde o meu avô mantinha uma horta junto à casa que, no passado, era a residência da família — ainda de um tempo distante em que não havia água canalizada ou electricidade. Quando eu era criança e passava temporadas com os meus avós, gostava de ir à “casa do quintal”, como era conhecida. Nessa altura servia apenas de apoio à horta e abrigo para uma pequena criação de coelhos e galinhas. Sempre gostei da configuração do quintal murado, estreito e comprido.

Da construção original apenas se conseguiu manter algumas paredes mestras e os cunhais de pedra. A volumetria manteve-se inalterada, mas a lógica de organização interna foi totalmente transformada. A cozinha funciona como “rótula” central da casa, com ligações directas à zona dos quartos, à sala de estar que fica virada para o jardim, e ao pátio através de uma porta dupla envidraçada. Aí, sob uma pérgola, dá-se a transição suave entre espaço interior e espaço exterior.

As antigas árvores de fruto convivem hoje com outras espécies escolhidas pelas suas capacidades de sombreamento, enquadramento e metamorfose ao longo do ano. Toda a vegetação próxima da casa é de folha caduca, permitindo que no Inverno o sol aqueça o interior. Junto aos limites deu-se preferência a espécies de folha perene. Tudo aqui é sobre habitar os espaços exteriores ao longo de cada uma das quatro estações do ano. A casa é apenas o pretexto.

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Published in Público, Afasia

© Miguel Marcelino